Pressupondo que alguém se interesse em ler essas considerações, desde já, advirto o destemido leitor sobre o tema. Trata-se de reflexões sobre a comunicação no mundo atual. O fato mesmo de que alguém possa estar lendo essas observações de pretensão filosófica, escritas por um ilustre desconhecido, pode dar a entender que estamos vivendo um período sem precedentes na história das relações humanas, onde todos podem se expressar livremente e se conhecer melhor sem as restrições do espaço-tempo, numa comunhão fraterna de idéias e ideais.
Não acalento essa opinião. O momento histórico é, sim, inédito em relação aos avanços tecnológicos, que possibilitam atos comunicativos entre os homens do mundo todo, como se fossem da mesma aldeia. Mas o aperfeiçoamento dos meios não é condição única para que se estabeleça a comunicação entre seres humanos. Simplificadamente, sabe-se da necessidade de pelo menos mais três elementos: o emissor, o receptor e a mensagem.
A pessoa que fala é a mais importante porque depende dela o esforço inicial de atrair a atenção de um ouvinte. Houve época em que era comum, nos homens mais sensatos, a prudência no falar a fim de se evitar um possível incômodo a um receptor qualquer. Julgava-se que nem todos estavam dispostos a ouvir qualquer coisa. É quando acreditava-se que a palavra tinha valor e, portanto, não podia ser gasta a não ser em assuntos realmente de interesse comum entre os interlocutores. Isso estimulava os indivíduos a refletirem mais antes de se expressar. Ao inverso da personagem Ofélia, de um programa humorístico televisivo, só abria-se a boca quando se tinha certeza”.
Chegou a era da informação. O avanço dos meios de comunicação promoveu o tagarelismo como direito geral e desobrigou os emissores do cuidado com a palavra. Havia, na antiguidade, um consenso de que para a expressão das idéias, com um mínimo de exatidão, exigia-se um preparo intenso, no mínimo, o estudo da língua. Por expressão de idéias, entenda-se a transmissão de mensagens mais elaboradas que as do cotidiano, frutos de cadeias sutis de raciocínios e que teriam alguma utilidade, como um contrato, uma oração, um discurso, uma obra de arte, um tratado etc. Para as necessidades básicas do dia a dia, qualquer linguagem basta, até gestos. Era o que o filósofo alemão Eugen Rosenstock-Hussey chamava de linguagem pré-formal em contraste com a linguagem formal utilizada pelos “maiores e mais sábios espíritos de todos os tempos”.
Mudando de tal modo esse contexto, não é de espantar-se que o ensino da língua tenha se tornado tão espinhoso para o sistema educacional; um problema mundial. Numa sociedade em que todos se acreditam sábios o suficiente para emitir opiniões sem a menor preocupação com uma reflexão anterior, sem uma acareação das idéias com os fatos, ou seja, sem o menor respeito ao princípio da verdade, aprender a “língua formal” é um esforço desnecessário. O resultado dessa tendência é o empobrecimento lexical do idioma e sua corrupção por formas gramaticais estrangeiras, como o fatídico “gerundismo”, já tão em moda.
É evidente que as quatro habilidades básicas de uma língua – ouvir, falar, ler e escrever - estão intimamente relacionadas. E se o indivíduo perde a capacidade de falar, automaticamente incapacita-se também para ouvir. Aquele que não valoriza ou não se preocupa com o que fala, provavelmente menospreza ainda mais o que ouve. A mesma relação vale entre o ler e escrever. A prova cabal disso é o absurdo índice de analfabetismo funcional – situação em que o indivíduo é “alfabetizado”, mas não consegue entender plenamente o que lê - existente no mundo. No Brasil, onde a situação é mais crítica, o percentual de pessoas que apresenta grande dificuldade na leitura ou não consegue ler nada chega a 75%, segundo pesquisa do Ibope feita em 2005. Não há razão para acreditar que esse índice tenha melhorado em dois anos.
O cenário atual apresenta uma oferta excessiva de informações, em que predominam as de má qualidade, inúteis ou perniciosas mesmo, disponíveis para um amplo público cada vez mais deficiente na capacidade de garimpar a verdade. Essa falha essencial ocorre tanto pelo desconhecimento e/ou abandono dos instrumentos intelectuais necessários para a compreensão e expressão da realidade, sobretudo a lógica e a gramática, como pela intoxicação ideológica esquerdista, que, sob a bandeira da “inclusão”, pretende mesmo é excluir a maioria da população da possibilidade de acesso ao acervo cultural produzido pelos mais sábios homens da história.
Experimente convencer algum jovem de hoje a ler e refletir sobre um texto de Aristóteles, de Immanuel Kant ou de Rui Barbosa e entenderá o que estou dizendo. Sem que as massas conheçam a grandeza do pensamento desses luminares da cultura humana, fica mais fácil para os engenheiros sociais, que abundam nos órgãos governamentais brasileiros e internacionais, empurrarem seus pífios planos de “sociedade mais justa” pela goela da humanidade já anestesiada com o excesso de mentiras. Como escreveu o genial poeta norte-americano T.S. Eliot: “A desintegração cultural é a desintegração mais radical que uma sociedade pode sofrer”.
E é desse modo que concluo minhas considerações pessimistas, temeroso de que o que se possa ver como um avanço nas relações entre os homens, a era da comunicação, seja apenas, como já se anuncia, uma era de discórdias, separações, ignorância e, ao fim, o retorno à barbárie.
Não acalento essa opinião. O momento histórico é, sim, inédito em relação aos avanços tecnológicos, que possibilitam atos comunicativos entre os homens do mundo todo, como se fossem da mesma aldeia. Mas o aperfeiçoamento dos meios não é condição única para que se estabeleça a comunicação entre seres humanos. Simplificadamente, sabe-se da necessidade de pelo menos mais três elementos: o emissor, o receptor e a mensagem.
A pessoa que fala é a mais importante porque depende dela o esforço inicial de atrair a atenção de um ouvinte. Houve época em que era comum, nos homens mais sensatos, a prudência no falar a fim de se evitar um possível incômodo a um receptor qualquer. Julgava-se que nem todos estavam dispostos a ouvir qualquer coisa. É quando acreditava-se que a palavra tinha valor e, portanto, não podia ser gasta a não ser em assuntos realmente de interesse comum entre os interlocutores. Isso estimulava os indivíduos a refletirem mais antes de se expressar. Ao inverso da personagem Ofélia, de um programa humorístico televisivo, só abria-se a boca quando se tinha certeza”.
Chegou a era da informação. O avanço dos meios de comunicação promoveu o tagarelismo como direito geral e desobrigou os emissores do cuidado com a palavra. Havia, na antiguidade, um consenso de que para a expressão das idéias, com um mínimo de exatidão, exigia-se um preparo intenso, no mínimo, o estudo da língua. Por expressão de idéias, entenda-se a transmissão de mensagens mais elaboradas que as do cotidiano, frutos de cadeias sutis de raciocínios e que teriam alguma utilidade, como um contrato, uma oração, um discurso, uma obra de arte, um tratado etc. Para as necessidades básicas do dia a dia, qualquer linguagem basta, até gestos. Era o que o filósofo alemão Eugen Rosenstock-Hussey chamava de linguagem pré-formal em contraste com a linguagem formal utilizada pelos “maiores e mais sábios espíritos de todos os tempos”.
Mudando de tal modo esse contexto, não é de espantar-se que o ensino da língua tenha se tornado tão espinhoso para o sistema educacional; um problema mundial. Numa sociedade em que todos se acreditam sábios o suficiente para emitir opiniões sem a menor preocupação com uma reflexão anterior, sem uma acareação das idéias com os fatos, ou seja, sem o menor respeito ao princípio da verdade, aprender a “língua formal” é um esforço desnecessário. O resultado dessa tendência é o empobrecimento lexical do idioma e sua corrupção por formas gramaticais estrangeiras, como o fatídico “gerundismo”, já tão em moda.
É evidente que as quatro habilidades básicas de uma língua – ouvir, falar, ler e escrever - estão intimamente relacionadas. E se o indivíduo perde a capacidade de falar, automaticamente incapacita-se também para ouvir. Aquele que não valoriza ou não se preocupa com o que fala, provavelmente menospreza ainda mais o que ouve. A mesma relação vale entre o ler e escrever. A prova cabal disso é o absurdo índice de analfabetismo funcional – situação em que o indivíduo é “alfabetizado”, mas não consegue entender plenamente o que lê - existente no mundo. No Brasil, onde a situação é mais crítica, o percentual de pessoas que apresenta grande dificuldade na leitura ou não consegue ler nada chega a 75%, segundo pesquisa do Ibope feita em 2005. Não há razão para acreditar que esse índice tenha melhorado em dois anos.
O cenário atual apresenta uma oferta excessiva de informações, em que predominam as de má qualidade, inúteis ou perniciosas mesmo, disponíveis para um amplo público cada vez mais deficiente na capacidade de garimpar a verdade. Essa falha essencial ocorre tanto pelo desconhecimento e/ou abandono dos instrumentos intelectuais necessários para a compreensão e expressão da realidade, sobretudo a lógica e a gramática, como pela intoxicação ideológica esquerdista, que, sob a bandeira da “inclusão”, pretende mesmo é excluir a maioria da população da possibilidade de acesso ao acervo cultural produzido pelos mais sábios homens da história.
Experimente convencer algum jovem de hoje a ler e refletir sobre um texto de Aristóteles, de Immanuel Kant ou de Rui Barbosa e entenderá o que estou dizendo. Sem que as massas conheçam a grandeza do pensamento desses luminares da cultura humana, fica mais fácil para os engenheiros sociais, que abundam nos órgãos governamentais brasileiros e internacionais, empurrarem seus pífios planos de “sociedade mais justa” pela goela da humanidade já anestesiada com o excesso de mentiras. Como escreveu o genial poeta norte-americano T.S. Eliot: “A desintegração cultural é a desintegração mais radical que uma sociedade pode sofrer”.
E é desse modo que concluo minhas considerações pessimistas, temeroso de que o que se possa ver como um avanço nas relações entre os homens, a era da comunicação, seja apenas, como já se anuncia, uma era de discórdias, separações, ignorância e, ao fim, o retorno à barbárie.
Nenhum comentário:
Postar um comentário